quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Você vai amar Arborea

 

Arborea (Dani Garcia, 2023)


Somos um espírito protetor. Construíremos um ecossistema para receber os animais que chegarão no nosso reino. Visualmente parece bem com Bitoku, mas as semelhanças param por aí.

 

É um eurão médio pesado. Ele tem um sistema de alocação e gerenciamento de trabalhadores. No início do seu turno você poderá ou colocar um trabalhador no início de uma das quatro trilhas ou fazer com que uma trilhe avance. Você poderá gastar energia espiritual para repetir essas ações. Sempre que uma trilha avança os jogadores que controlarem os trabalhadores que estão nela podem escolher que eles desçam para um dos dois caminhos que partem do local onde eles chegaram.

 


Na segunda etapa do seu turno você poderá escolher até dois trabalhadores “descidos” para percorrer os seus caminhos. Pode-se ainda gastar energia espiritual para acionar mais trabalhadores. Quanto mais o seu trabalhador tiver avançado na trilha melhores os efeitos do caminho. Vários efeitos são possíveis os mais comuns são: gerar recursos; tornar animais disponíveis para a coleta; coletar animais; pegar projetos de ecossistema; ganhar mais trabalhadores. O jogo possui uma gestão de recursos muito original. Eles não são de propriedade de um jogador e sim comunitários. Tudo o que você gerar e não utilizar ficará disponível para os demais, mas em compensação isso lhe dará pontos de vitória. Quanto mais raro e escasso o recurso (são 6) mais pontos serão gerados.

Na terceira etapa do turno você poderá construir um dos projetos que você pegou utilizando os recursos comunitários. Esses projetos são cartas com 6 casas com terrenos específicos. Será nessas cartas que você colocará os animais coletados. Cada animal pontuará de uma forma diferente no final do jogo.

 

Por fim, os seus trabalhadores que ainda estiverem na trilha farão com que esta avance, beneficiando todos que estiverem nela.

 


Eu gostei bastante de Arborea. O sistema de recursos chamou muito a minha atenção, achei simples e genial. O jogo ainda tem uma leve construção de motor que também me agradou. Um dos efeitos do caminho é fazer uma doação para um dos deuses. Cada caminho termia em um deus que lhe dará recompensas de acordo com as doações feitas. A gestão dos trabalhadores é bem desafiante. Você precisa pensar com alguns turnos a frente para não ficar sem trabalhadores para serem colocados em trilhas ou para descerem os caminhos. O meu único porém do jogo é que a interação entre os jogadores pode ser um tanto caótica. Você poderá ser bastante beneficiado ou não pelo que os outros fizerem. Mas acredito que essa seja uma das intenções do autor. 

 

Arborea está em financiamento coletivo na fora. Aquele esquema bem caro: moeda estrangeira, frete caro e imposto de importação. Espero que um dia venha para o Brasil. Experimentei a expansão do Rio da Meia Noite. Achei bem boa, mas nada essencial. Podendo escolher, recomendo jogar com ela logo na primeira partida.

 

 

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Revive justifica a expectativa gerada?

 

Revive (Helge Meissner, Eilif Svensson, Anna Wermlund, Kristian Amundsen Østby, 2022)

 

Já se passaram 5 mil anos desde que tudo foi destruído. Somos tribos tentando reconstruir a civilização em uma Terra congelada. Precisaremos explorar o terreno, construir fábricas, recrutar novos sobreviventes entre outras demandas. O tema me atrai e acho que foi bem implementado.


É um eurão médio-pesado baseado na gestão de mão, na construção de motor e na exploração e ocupação do território. No seu turno você terá duas opções: fazer duas ações ou reiniciar a sua máquina. Suas ações podem ser basicamente: utilizar uma carta; explorar o território; fazer construções; e ocupar ruínas. As cartas possuem sempre dois efeitos possíveis. O seu tabuleiro pessoal possui dois espaços que permitem acionar a parte de cima de uma carta (que lhe dará recursos) e dois para a parte de baixo (que podem ter outros efeitos interessantes); a exploração do território faz com que você ganhe pontos e novas cartas, além de abrir mais oportunidades para construções e descubra ruínas; as construções fazem com que você avance em três trilhas que lhe liberarão algumas ações livres e pontuações de fim de jogo; a ocupação de ruínas faz com que você destrave poderes e efeitos, alguns deles assimétricos. Aliais, o jogo possui facções que dão uma assimetria interessante. A partida tem o seu gatilho de fim de jogo quando o último artefato é coletado. Existem várias formas de fazer isso. Os artefatos dão uma pontuação de fim de partida, que também é assimétrica. Fiquei com a impressão que essa assimetria de pontuação não ser balanceada.


Eu gostei do Revive. Um ponto negativo foi a duração, que foi mais curta do que eu gostaria. Quando a máquina começa a andar, o jogo acaba. Joguei uma 2ª partida com uma variante oficial que deixa o jogo mais longo e nem isso resolveu. De qualquer forma recomendo que conheçam. É muito gostoso de jogar, que proporciona vários caminhos para a vitória e com grande rejogabilidade. Para mim Revive entregou mais do que eu esperava, provavelmente seja um dos melhores deste ano.


O jogo oferece uma mini campanha que vai introduzindo aos poucos novos elementos. Se você estiver acostumado com jogos desse peso, recomendo que já inicie com tudo na mesa.

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O Romir fez um excelente vídeo sobre as regras do Dino Escape, dá uma olhada! 




sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Woodcraft é um dos melhores do Suchý?

 

Woodcraft (Ross Arnold e Vladimír Suchý, 2022)

Somos um povo da floresta especializado em marcenaria. Iremos equipar a nossa oficina, contratar ajudantes, plantar árvores, comercializar madeira e adquirir contratos. O tema não me chamou muito a atenção, mas achei bem interessante a forma que os dados são utilizados para representar o tamanho (pelos números) e o tipo (pela cor) da madeira.



É um euro médio baseado na seleção de ações e na construção de motor. A parte da seleção de ações. Existem 7 delas, que ficam dispostas em rondel. À medida que as ações são selecionadas elas giram no rondel, podendo proporcionar bônus as demais. Parece-me ser um avanço do que havia no jogo Shipyard, também do Suchý.  A construção de motor tem seu valor, mas depende da aleatoriedade das cartas, Ajudantes e Contratos, que aparecerão.  


Eu gostei. Entrou inclusive na minha lista de melhores jogos que conheci em 2022. É bem gostoso de jogar e envolve tática e estratégia. A interação está na medida que eu gosto. Nada muito destrutivo, mas para jogar bem você tem que evitar “levantar a bola para o coleguinha”. O único ponto que não me agradou foi a aleatoriedade das cartas, mas não é nada que destrua o jogo. Para mim é um dos melhores do Suchý, ao lado de Praga e Messina. Qual o seu favorito deste autor.

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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Lacrimosa é uma obra de arte?

 

Lacrimosa (Gerard Ascensi e Ferran Renalias, 2022)

Mozard está morto e deixou a sua derradeira obra inacabada. Somos podres de ricos e, para aliviar a consciência e ainda fazer uma propaganda pessoal, financiamos as artes. Nossa missão aqui é patrocinar a finalização o trabalho do compositor uma última vez. Apesar da ironia do texto, eu gostei do tema e achei que foi implementado satisfatoriamente.


É um euro médio com foco na seleção de ações e no controle de área. A partida tem 5 eras, cada uma com 4 rodadas. Os jogadores começam com o mesmo baralho de 9 cartas, mas com apenas 4 na mão (3 na última rodada de cada era). Na sua vez você selecionará duas cartas para jogar. Em uma delas você acionará a ação, que fica na parte de cima da carta. Na outra você construirá a renda que receberá no final do turno. São cinco ações possíveis: comprar uma nova carta de ação/renda, ao fazer isso você eliminará uma carta, mantendo assim nove cartas no total; comprar uma carta de música; tocar ou vender uma carta de música; refazer as viagens de Mozard pela Europa, o que lhe poderá recursos, efeitos imediatos ou contratos de fim de jogo; e contratar um dos dois compositores para ajudar na obra inacabada. A obra possui 5 partes, cada uma demandando a presença de instrumentos determinados. Ao contribuir você deverá pagar o que o contrato do compositor exige. Isso por si só lhe dará alguma vantagem. No final do jogo verifica-se qual dos dois compositores está mais presente em cada uma das partes da música. Os jogadores que contribuíram com o vencedor ganharão pontos por contribuição feita. O mesmo acontece com que contribuiu para o perdedor, mas em menor escala. 


Eu achei Lacrimosa um jogo honesto. A parte que eu mais gostei foi a seleção de ações e a gestão das cartas na sua mão. O controle de área nas partes da música também é legal. Não vi grandes problemas na restante do jogo, só senti falta de uma construção de motor mais sofisticada. Acho que o vale a pena ser jogado, mas vai sem a expectativa de “hype de Essen” para não se decepcionar.

 

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A Grok anunciou o meu jogo Pantanal. Assine o canal para mais informações. 




sexta-feira, 11 de novembro de 2022

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Delta e a gestão de mão

 

Delta (Franz Couderc, 2023)

Estamos em um cenário steampunk. Exploraremos o delta de um rio que possui animais mecatrônicos e cristais energéticos.


É um euro médio, cuja principal mecânica é a seleção de ações. O jogo possui 6 rodadas. Em cada uma delas os jogadores escolherão 3 cartas da mão, uma para cada região, que também são 3. Os efeitos são muitos, mas envolve construção de motor e maximização de pontos. No final da rodada há uma gestão de mão similar a do Mombasa. Você escolherá uma das 3 colunas de cartas que estão no seu tabuleiro pessoal. Essas colunas são formadas pelas cartas que você gastou na rodada. Além disso, para cada uma das regiões a uma disputa por novas cartas. Há o número de jogadores mais 1 em cada. A escolha é feita de acordo com o prestígio da carta que você utilizou naquela região, em caso de empate, quem jogou primeiro coleta na frente.


Eu gostei de Delta. A gestão de mão é bem legal e a forma de construir o motor e ganhar pontos é engenhosa. Recomendo para quem gosta de um euro médio.

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terça-feira, 18 de outubro de 2022

Copan e a ladeira abaixo

 

Copan: Dying City (Eric Dubus e Olivier Melison, 2023)

Estamos na cidade maia de Copan. Somos influentes famílias que estão no comando. Ao contrário do habitual, começamos o jogo no ápice e vamos caminhando para o declínio. Esse aspecto temático me agradou muito, para além do cenário mesoamericano. Gostei de como o tema foi implementado nas mecânicas, que impõe aos jogadores escassez de recursos e diminuição de opções ao longo da partida. 



Trata-se de um euro médio. No seu turno você fará duas coisas. Primeiro colocará uma das peças de geração de recursos na pirâmide. Existe quatro recursos diferentes. Você gerará não apenas de acordo com a peça que colocou, mas também pelas peças adjacentes. Além disso, não alguns locais que se forem alocados geram outros efeitos. A quantidade de recursos gerados é ditada por uma trilha. Inicialmente são 3, mas sempre que uma peça é colocada, a trilha correspondente avança, o que faz com que esse valor diminua, podendo chegar no zero. Nas últimas rodadas é provável que você não consiga produzir recursos dessa forma. A segunda etapa do turno é a seleção de ação. Existem 4 ações diferentes, se você escolher repetir a ação da rodada anterior você ganhará recursos ou pontos de vitória. Há assim um grande incentivo à especialização. O jogo ainda tem uma leve construção de motor e uma pontuação final baseada no avanço em 4 trilhas de pontuação, que reforçam a necessidade de especialização.



Eu gostei de Copan. É bem resolvido no tema e na mecânica. O ponto baixo na minha opinião é a forma como os desastres acontecem. Eles ocorrem quando o marcador na trilha de recursos chega em determinados pontos, o que é legal. Contudo, o efeito do desastre é definido por um rolamento de dado. O desastre incidirá sobre todos os jogadores, mas poderá prejudicar mais os que estão se especializando em determinado caminho. Acredito que seria mais interessante, se os jogadores disputassem esses efeitos. Mas de qualquer forma, não é dada destruidor. Recomendo para quem goste de jogos nessa linha.

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Fiquei muito feliz de ver o Dino Escape entrando na lista de recomendações do Aftermatch no Dia das Crianças. Dá uma olhada: