domingo, 10 de março de 2024

GWT Nova Zelândia e o canibalismo




Estamos com o 3o jogo da série GWT. Agora estamos criando ovelhas na Nova Zelândia. Diria que 80-85% do jogo permanece o mesmo. A mecânica principal continua sendo a seleção de ações no rondel interativo. As dinâmicas de compra e entrega de gado/ovelha permanecem quase inalteradas, assim como a construção de prédios que proporcionam melhores ações para você. Há, contudo, algumas novidades:





- Agora podemos tosquiar as ovelhas. É uma ação disponível em um dos prédios iniciais que é relacionada ao novo tipo de trabalhador. Para cada tosquiador que você tiver, você poderá descer uma ovelha diferente (ou comprar e descartar uma carta). Funciona como uma entrega de final de trilha, mas tem destinos próprios. É interessante que há ovelhas melhores para o abate e outras para a retirada de lã; 


- A dinâmica do maquinista foi substituída pelo navegador. O caminho agora não é linear e, além de proporcionar a ocupação de estações tal como ocorria no jogo original, agora ele também também pode disponibilizar novos locais de entrega de abate ou lã. Além disso, quando você para nos portos você deixa um armazém para marcar a sua chegada. A retirada de armazéns no seu tabuleiro pessoal gera bônus distintos. 


- Agora temos cartas de construção de baralho. Elas lhe dão um pequeno bônus, mas fazem com que você compre uma carta. Assim, elas nunca te atrapalham e dinamizam o seu jogo. Você pode conseguí-las de diversas formas como navegando ou retirando obstáculos. 





- Tem uma interessante trilha do desbravador. Você pode avançar nela por efeito de algumas ações ou com uma carta de construção de baralho específica. Ela lhe dará recursos, facilidades para o deslocamento e libera locais interessantes para a construção de prédios. 


Eu gostei bastante de GWT Nova Zelândia. Eu já tinha gostado do Argentina mais do que o original sem a expansão, mas o Nova Zelândia me agradou mais que todos os outros. Todas as mudanças melhoraram o jogo. Considero que ele ficou com mais possibilidades estratégicas. O entrelaçamento entre os efeitos que cada profissão dão uma complexidade na medida certa. Super recomendo que conheçam. 


O ponto que não me agradou foi a proximidade de três GWTs. Não vejo sentido em ter mais do que um, para além do colecionismo. Eu acharia mais interessante se esses jogos fossem mais distintos, com ainda mais inovações. 


_______________________





Link - Arquitetura no Brasil está com versão para imprimir e jogar disponível na Ludopédia. 


https://ludopedia.com.br/jogo/link-arquitetura-no-brasil


Considere apoiar esse projeto votando nele no Prêmio Ludopédia, categorias Jogo Família Global e Jogo Família.



terça-feira, 21 de novembro de 2023

Evacuation, do Suchý, e os malditos contratos

 

Evacuation (Vladimír Suchý, 2023)


A incidência solar está aumentando no nosso planeta. Em pouco tempo será impossível viver nele, precisaremos remover nossa população e fábricas para um novo. Eu gostei do tema e achei que ele foi bem implementado. 


É um euro médio-pesado, baseado na seleção de ações. O jogo possui 4 rodadas. Em cada uma delas os jogadores farão as suas ações. As primeiras ações da rodada são de graça, mas o custo (em energia) vai subindo à medida que mais ações são feitas. 


O jogo proporciona duas formas de seleção de ação. Na mais simples existem 4 espaços com 2 ou 3 ações cada. Os espaços estão associados a uma quantidade de pontos de evolução (não sei se é esse o nome) que terão efeito no final do turno. Existem ações que se repetem em espaços diferentes. Os efeitos delas podem ser: 


  • Evoluir tecnologia: que lhe dará poderes assimétricos ou efeitos imediatos únicos.
  • Construir fábrica e população no planeta novo: que permitirá colonizá-lo.
  • Colonização: utiliza população e fábricas para aumentar a sua renda de recursos no planeta novo. 
  • Construir naves: para levar a população, a fábricas e recursos do planeta velho para o novo. 
  • Construir estádios: no final da rodada 2/3/4 você tem que ter construído 1/2/3 estádios, caso contrário perderá pontos de vitória. 
  • Infraestrutura: pega uma das 3 cartas de infraestrutura abertas. Elas são uma espécie de contrato. Se você conseguir formar um padrão de colonização exposto na carta, você poderá usar uma ação de infraestrutura para baixar a carta e ganhar a renda de recursos indicada no planeta novo. 


No final do turno, quando todo mundo não puder ou quiser mais ações, os pontos de evolução de todas as suas ações serão somados. Se o resultado for exatamente um dos dois valores expostos em uma carta que foi sorteada no início da rodada, você ganhará a recompensa indicada. Além disso, você precisará avançar os seus pontos de evolução em uma trilha. Você terá dois marcadores nesta trilha e poderá dividir os pontos entre eles. Essa trilha abre mais opções de colonização no planeta novo e também possui alguns efeitos imediatos.



No final do jogo os pontos de vitória são contados tendo como base a sua renda de produtos mais baixa no planeta novo (são 3 tipos de recurso). Você perderá pontos se não tiver alimentado a população em alguma rodada, se não tiver construído os estádios exigidos ou se tiver deixado alguma coisa no planeta antigo. Há um bônus para quem construiu os melhores estádios. 


O que eu mais gostei no jogo foi o fato de termos dois “depósitos de recursos”, um em cada planeta. As ações com efeito em determinado planeta precisarão ter os insumos lá. Isso trás uma camada extra de planejamento. 


O ponto baixo na minha opinião são as cartas de infraestrutura. Você não sabe o que vem no baralho. É possível que apareça algo que você já possa construir sem ter se preparado para isso. Aliás, essa é uma característica muito comum em jogos tipicamente italianos que me desagrada bastante. 


No cômputo geral achei um jogo legal, mas nada de outro mundo. Vale conhecer, mas sem gerar expectativas. Shipyard, Praga, Messina e Woodcraft me agradaram mais. Qual o seu Suchý favorito?

_______________________





Link - Arquitetura no Brasil está com versão para imprimir e jogar disponível na Ludopédia. 


https://ludopedia.com.br/jogo/link-arquitetura-no-brasil


segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Link - Arquitetura no Brasil para imprimir e jogar

 


Link - Arquitetura no Brasil está com versão para imprimir e jogar disponível na Ludopédia. 

https://ludopedia.com.br/jogo/link-arquitetura-no-brasil


Link é um jogo leve de seleção de cartas e construção de tableau. Ele pode possuir qualquer tema, o protótipo inicial é sobre o patrimônio arquitetônico brasileiro. Cada carta corresponde a uma construção feita no Brasil. Ela terá 3 características: quando foi feita, onde foi feita e que tipo de construção ela é. Além disso, ela traz um critério de pontuação de final de jogo.

domingo, 10 de setembro de 2023

Nucleum, o Barrage radioativo

 

Nucleum (Simone Luciani, Dávid Turczi, 2023)


Estamos na Saxônia no fim do século XIX. Estamos desenvolvendo as primeiras usinas termonucleares. Precisaremos minerar urânio, construir usinas e criar redes de distribuição para eletrificar prédios civis. O tema não me atraiu, mas achei que ele foi bem implementado. 


Trata-se de um euro médio-pesado baseado na seleção de ações. No seu turno você terá 3 opções:

- Usar uma peça de ação no seu tabuleiro pessoal. Neste caso você fará as duas ações da peça. 

- Usar uma peça de ação e um meeple como uma conexão no tabuleiro principal. Cada uma das ações está marcada com uma cor. Caso você consiga associar a ação a outra com a mesma cor, as duas são acionadas. Rotas completadas geram benefícios para quem participou dela. 

- Ganhar a renda e recuperar as peças que você enviou para o tabuleiro pessoal. 


As ações envolvem gerar recursos, construir elementos (tanto para geração e transmissão de energia quanto prédios civis), gerar a energia para os seus prédios e desenvolver tecnologias. Cada um terá o seu conjunto assimétrico de tecnologias a serem desenvolvidas. Gerar energia também habilita um interessante sistema de pontuação de fim de jogo.


Eu gostei bastante de Nucleum. Tem um clima parecido com o Barrage (mesmos autores) mas é menos punitivo o que me agrada. A construção de rotas e transporte de recursos e transmissão de energia lembra um pouco Brass. Super recomendo que conheçam. Certamente estará na minha lista de melhores do ano. 


Eu gostei mais de Nucleum do que Barrage, e você?  

_______________________


O Dino Escape está com nova edição e o preço abaixou.

Dê uma olhada em:

https://tgmeditora.com.br/produto/dino-escape/


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Barcelona: ótima cidade, jogo idem

 

Barcelona (Dani Garcia, 2023)


Estamos na Barcelona do século XIX. Somos construtores e estamos ajudando Ildefons Cerdà, um dos fundadores do urbanismo, a construir ruas e prédios. Eu gostei muito deste tema. Gosto muito da cidade e sou urbanista. Conquistou o meu coração. Achei que o tema está bem presente em todos os elementos do jogo, mas em alguns momentos me pareceu quase um jogo abstrato. 




Trata-se de um euro entre o médio e o médio pesado, baseado na alocação de trabalhadores. No início do seu turno você alocará as duas fichas de trabalhador em um mesmo cruzamento, que deve estar vazio. Então você executará as ações que estão relacionadas às ruas do cruzamento. Na maioria das vezes são duas ações, mas há espaços que exigem pagamento e proporcionam uma terceira ação. Os efeitos são bem variados mas envolvem principalmente ganho de recursos e geração de pontos de vitória (imediatos ou de final de partida). Depois da ação, passa-se pela construção de prédios. Dependendo da quantidade e tipo de trabalhadores envolta dos quarteirões, prédios serão construídos ou melhorados, o que também gerará pontos. Trabalhadores que participam da construção do prédio são retirados da cidade e colocados em uma trilha. Essas trilhas marcam o avanço do jogo que possui 3 eras, cada uma com uma pontuação específica no final dela. Na última etapa do turno, compra-se dois trabalhadores para a próxima jogada. 


Eu gostei bastante deste jogo. Teve um ponto que eu não gostei: não há propriamente uma construção de máquina, apenas a maximização dos objetivos de final de jogo que você pegou ao longo da partida e a busca de algumas especializações. A interação é bem interessante e os elementos aleatórios tem pouco impacto. A partida é relativamente rápida para um jogo deste peso, o que para mim não é necessariamente uma vantagem, mas entendo que neste caso a duração é adequada frente às possibilidades apresentadas. A Mosaico trouxe para o Brasil, recomendo que conheçam. 


O autor, Dani Garcia, entrou definitivamente no meu radar. Ele tem mais um jogo publicado, que eu também gostei (Arborea, que já tem artigo), mas tem alguns já planejados para lançamento nos próximos anos. Vou querer conhecê-los. 



_______________________


O Dino Escape está com nova edição e o preço abaixou.
Dê uma olhada em:
https://tgmeditora.com.br/produto/dino-escape/


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O que tiraram de Terra Mystica para fazer o Terra Nova?

 


Terra Nova (Andreas Faul, 2022)

Terra Nova é uma versão “junior” no Terra Mystica. O autor e a editora são diferentes mas é uma reimplementação simplificada. O tema continua o mesmo, raças de fantasia colonizando um continente. Várias mecânicas foram modificadas, seguem as mais significativas. 




- Tiraram os cultos e tudo que é relacionado a eles. Não tem o tabuleiro de trilha de cultos, os prédios religiosos não podem ser construídos e não há favores divinos ou sacerdotes. 

- Só há um recurso: dinheiro. 

- A comemoração foi simplificada. Ao construir ou melhorar uma construção todos os jogadores que tiverem construções adjacentes ganham uma carga por construção, independente qual construção seja. Não há perda de pontos de vitória. 




- O mapa só tem 5 cores de terreno e o jogo acaba na 5a rodada. 

- Não se pode melhorar a “taxa básica” de terraformação, custa sempre 6 moedas por pá. 

- Só existem 3 tipos de construção. Pode-se, contudo, construir 2 fortalezas, cada uma com um efeito específico. 




- Não há competição por recompensas de cidades. Cada pessoa começa com as mesmas 4 fichas que podem ser usadas só por elas. 

Terra Nova sem dúvida não é para mim. Achei muito simplório. O fato de ter só um recurso diminui em muito a necessidade de planejamento. Acredito que não irá agradar aos fãs de Terra Mystica. Porém, há sem dúvida público para ele. Quem estiver procurando uma experiência mais tranquilo, leve e nada punitiva pode gostar muito dele. 


_______________________




O Dino Escape está com nova edição e o preço abaixou.
Dê uma olhada em:
https://tgmeditora.com.br/produto/dino-escape/


sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Expeditions agradará quem gosta de Scythe?

 


Expeditions (Jamey Stegmaier, 2023)


Estamos continuando a história inciada em Scythe, do mesmo autor. Agora um estranho meteoro caiu na Sibéria e nós iremos controlar expedicionários que partirão em seus mechs nesta empreitada. Eu gosto bastante do cenário steampunk desta saga, em especial as artes.  



Trata-se de um euro médio, baseado na seleção de ações e na construção de motor. Existem 3 ações possíveis: mover, jogar e recolher. No 1º turno você poderá realizar as três. Nos demais você normalmente escolherá uma ação para não fazer e realizar as demais. A ação não feita tem que ser diferente da escolhida no turno anterior. Alternativamente, você poderá passar. Com essa opção você recolherá as cartas e os trabalhadores já utilizados e poderá fazer as três ações no turno seguinte. Achei essa mecânica bem simples e interessante, ela provoca decisões interessantes. Os efeitos das ações são:



- Mover: você terá um mech que andará em um mapa hexagonal.

- Jogar: você jogará uma das cartas da sua mão. Isso lhe dará alguns recursos e a possibilidade de utilizar um trabalhador para efeitos variados. 

- Recolher: Você ativará o hexágono no qual o seu mech está. Isso poderá lhe dar recursos, cartas e trabalhadores além de ativar efeitos específicos. 



Existem 7 objetivos envolvendo normalmente a feitura de uma “tarefa” várias vezes. Quando alguém completar 4 desses objetivos aciona-se o fim do jogo. 


Eu achei Expeditions interessante. O ponto que eu mais não gostei foi a pouca interação entre os jogadores (problema que eu também identifico no Scythe). Também fiquei incomodado com a alta aleatoriedade na disponibilidade de cartas. Apesar de ser um pouco mais leve que o Scythe, acredito que Expeditions deve agradar os apreciadores da franquia. 


_______________________



O Dino Escape está com nova edição e o preço abaixou.

Dê uma olhada em:

https://tgmeditora.com.br/produto/dino-escape/