quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Barcelona: ótima cidade, jogo idem

 

Barcelona (Dani Garcia, 2023)


Estamos na Barcelona do século XIX. Somos construtores e estamos ajudando Ildefons Cerdà, um dos fundadores do urbanismo, a construir ruas e prédios. Eu gostei muito deste tema. Gosto muito da cidade e sou urbanista. Conquistou o meu coração. Achei que o tema está bem presente em todos os elementos do jogo, mas em alguns momentos me pareceu quase um jogo abstrato. 




Trata-se de um euro entre o médio e o médio pesado, baseado na alocação de trabalhadores. No início do seu turno você alocará as duas fichas de trabalhador em um mesmo cruzamento, que deve estar vazio. Então você executará as ações que estão relacionadas às ruas do cruzamento. Na maioria das vezes são duas ações, mas há espaços que exigem pagamento e proporcionam uma terceira ação. Os efeitos são bem variados mas envolvem principalmente ganho de recursos e geração de pontos de vitória (imediatos ou de final de partida). Depois da ação, passa-se pela construção de prédios. Dependendo da quantidade e tipo de trabalhadores envolta dos quarteirões, prédios serão construídos ou melhorados, o que também gerará pontos. Trabalhadores que participam da construção do prédio são retirados da cidade e colocados em uma trilha. Essas trilhas marcam o avanço do jogo que possui 3 eras, cada uma com uma pontuação específica no final dela. Na última etapa do turno, compra-se dois trabalhadores para a próxima jogada. 


Eu gostei bastante deste jogo. Teve um ponto que eu não gostei: não há propriamente uma construção de máquina, apenas a maximização dos objetivos de final de jogo que você pegou ao longo da partida e a busca de algumas especializações. A interação é bem interessante e os elementos aleatórios tem pouco impacto. A partida é relativamente rápida para um jogo deste peso, o que para mim não é necessariamente uma vantagem, mas entendo que neste caso a duração é adequada frente às possibilidades apresentadas. A Mosaico trouxe para o Brasil, recomendo que conheçam. 


O autor, Dani Garcia, entrou definitivamente no meu radar. Ele tem mais um jogo publicado, que eu também gostei (Arborea, que já tem artigo), mas tem alguns já planejados para lançamento nos próximos anos. Vou querer conhecê-los. 



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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

O que tiraram de Terra Mystica para fazer o Terra Nova?

 


Terra Nova (Andreas Faul, 2022)

Terra Nova é uma versão “junior” no Terra Mystica. O autor e a editora são diferentes mas é uma reimplementação simplificada. O tema continua o mesmo, raças de fantasia colonizando um continente. Várias mecânicas foram modificadas, seguem as mais significativas. 




- Tiraram os cultos e tudo que é relacionado a eles. Não tem o tabuleiro de trilha de cultos, os prédios religiosos não podem ser construídos e não há favores divinos ou sacerdotes. 

- Só há um recurso: dinheiro. 

- A comemoração foi simplificada. Ao construir ou melhorar uma construção todos os jogadores que tiverem construções adjacentes ganham uma carga por construção, independente qual construção seja. Não há perda de pontos de vitória. 




- O mapa só tem 5 cores de terreno e o jogo acaba na 5a rodada. 

- Não se pode melhorar a “taxa básica” de terraformação, custa sempre 6 moedas por pá. 

- Só existem 3 tipos de construção. Pode-se, contudo, construir 2 fortalezas, cada uma com um efeito específico. 




- Não há competição por recompensas de cidades. Cada pessoa começa com as mesmas 4 fichas que podem ser usadas só por elas. 

Terra Nova sem dúvida não é para mim. Achei muito simplório. O fato de ter só um recurso diminui em muito a necessidade de planejamento. Acredito que não irá agradar aos fãs de Terra Mystica. Porém, há sem dúvida público para ele. Quem estiver procurando uma experiência mais tranquilo, leve e nada punitiva pode gostar muito dele. 


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sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Expeditions agradará quem gosta de Scythe?

 


Expeditions (Jamey Stegmaier, 2023)


Estamos continuando a história inciada em Scythe, do mesmo autor. Agora um estranho meteoro caiu na Sibéria e nós iremos controlar expedicionários que partirão em seus mechs nesta empreitada. Eu gosto bastante do cenário steampunk desta saga, em especial as artes.  



Trata-se de um euro médio, baseado na seleção de ações e na construção de motor. Existem 3 ações possíveis: mover, jogar e recolher. No 1º turno você poderá realizar as três. Nos demais você normalmente escolherá uma ação para não fazer e realizar as demais. A ação não feita tem que ser diferente da escolhida no turno anterior. Alternativamente, você poderá passar. Com essa opção você recolherá as cartas e os trabalhadores já utilizados e poderá fazer as três ações no turno seguinte. Achei essa mecânica bem simples e interessante, ela provoca decisões interessantes. Os efeitos das ações são:



- Mover: você terá um mech que andará em um mapa hexagonal.

- Jogar: você jogará uma das cartas da sua mão. Isso lhe dará alguns recursos e a possibilidade de utilizar um trabalhador para efeitos variados. 

- Recolher: Você ativará o hexágono no qual o seu mech está. Isso poderá lhe dar recursos, cartas e trabalhadores além de ativar efeitos específicos. 



Existem 7 objetivos envolvendo normalmente a feitura de uma “tarefa” várias vezes. Quando alguém completar 4 desses objetivos aciona-se o fim do jogo. 


Eu achei Expeditions interessante. O ponto que eu mais não gostei foi a pouca interação entre os jogadores (problema que eu também identifico no Scythe). Também fiquei incomodado com a alta aleatoriedade na disponibilidade de cartas. Apesar de ser um pouco mais leve que o Scythe, acredito que Expeditions deve agradar os apreciadores da franquia. 


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quarta-feira, 21 de junho de 2023

Vital se superou em Inventions?

 

Inventions: Evolution of Ideas (Vital Lacerda, 2024)


Viajaremos pela história da humanidade, mais especificamente a evolução do conhecimento e da ciência. Achei o tema interessante e acho que ele serve bem de pano de fundo para um jogo fundamentalmente abstrato. 




É um eurão médio pesado baseado na seleção de ações.Não conseguirei passar por todas as regras, segue um resumo. O jogo tem 13 rodadas em cada uma delas os jogadores escolherão uma entre 10 ações possíveis. Há um sistema bem original de seleção de ações que impõe algumas restrições e interações ao processo. Ele é simples de entender mas bem sofisticado para dominar, gostei muito. As ações assustam no início. Cada uma delas possui uma sequência de efeitos. Entre esses efeitos há a possibilidade de ocorrer reações em cadeia que lhe darão a possibilidade de fazer outras ações. Além disso, ao fazer uma ação você abrirá novas oportunidades que poderão ser aproveitadas por outros jogadores. A construção de motor é bem presente. Existem 21 tecnologias (não sei se esse é o nome) fora as peças de pontuação de final de jogo. 




Eu adorei Inventions. Preciso jogar mais, mas talvez se torne o meu jogo preferido do Lacerda. Claro que não é para todo mundo, principalmente pela quantidade de informações de possibilidades. Para quem é do nicho eu recomendo fortemente que conheça.  


O jogo só sai em 2024, mas já está disponível no tabletopia.com. Ainda não foi anunciado, mas imagino que a Mosaico traga.

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quarta-feira, 14 de junho de 2023

The Witcher (sem Henry Cavill)

 


The Witcher: Old World (Łukasz Woźniak, 2023)

Estamos (evidentemente) no mundo de Witcher, mas muitos anos antes a história de Geralt de Rivia. Somos bruxos caçadores de monstros. Precisaremos viajar pelo continente para aprimorar as nossas habilidades, matar monstros e, eventualmente, duelar com os nossos adversários. Achei o tema bem implementado, acredito que agradará os fãs da franquia.

 


Trata-se de um jogo temático com foco na construção de baralho. Vence quem chegar primeiro aos 4 pontos. Estes podem ser conseguidos ao ser o 1º a alcançar o nível máximo de cada um dos quatro atributos, matando monstros e duelando contra outros jogadores (apenas 1 ponto por jogador vencido). Seu turno consistirá de 3 etapas. Na 1ª deve-se utilizar as cartas para a movimentação no tabuleiro. Cada cidade que se passa aciona um efeito que pode ser melhorar atributos, ganhar dinheiro entre outros. Ao terminar a movimentação deve-se escolher uma ação principal entre 3 alternativas: lutar, abrir uma carta de evento ou meditar. A meditação lhe dará um ponto, mas só pode ocorrer quando você chega 1º no todo de um atributo. A carta lhe descreverá um evento e lhe dará duas opções. O resultado não é conhecido, mas pelo que eu vi é sempre neutro ou positivo. O combate é a parte mais elaborado do jogo. Você utilizará as cartas do seu baralho contra um monstro ou outro jogador sendo que as cartas que você não utilizou na movimentação serão a sua mão inicial. Na última etapa do turno você comprará 3 cartas do baralho e precisará pegar uma disponível na mesa. Algumas dessas demandarão um pagamento que deve ser feito com o descarte de cartas, o que diminuirá as suas possibilidades na próxima rodada.

 


Jogos temáticos não o meu estilo favorito, mas costumo me divertir com eles, principalmente se for a primeira partida. Com Witcher não foi diferente. Gosto do cenário e consegui emergir na experiência. Não gostei de um dos efeitos de cidade que é uma aposta de poker de dados. Trata-se apenas de jogar dados e a diferença entre vencer e perder é bem grande. Entendo que jogos deste tipo tema na aleatoriedade um elemento desejado, mas considero que aqui foi exagerado. Outro ponto negativo foi o fato de que dos meus 4 pontos 2 vieram de ter alcançado o topo de atributos. Achei isso um tanto anticlimático. Acredito que o foco deveria se dar nos combates. De uma forma geral acredito que o jogo irá agradar. Tem um monte de miniatura bonita e uma mecânica que entretêm.

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terça-feira, 6 de junho de 2023

Council of Shadows

 

O ano é O ano é 2.200. Estamos no comando de uma civilização intergalática que precisa se mostrar apta a entrar no Conselho das Sombras, que comanda todo o universo conhecido.





É um euro médio baseado na seleção de ações e na construção de motor. A seleção de ações me agradou bastante. No início da partida cada pessoa terá o mesmo baralho de ações simétrico, mas pode-se comprar novas cartas ao longo do jogo que são mais fortes que as originais. No início de cada turno deve-se simultaneamente colocar uma carta em cada um dos espaços de ação. Cada carta possui  um efeito e um custo em demanda de energia, que pode inclusive ser negativo. Existe uma trilha de consumo de energia, que começa no 20. O marcador de cada jogador deve avançar nessa trilha na mesma quantidade que o total do consumo das suas energia das cartas. Isso é muito importante pois o objetivo do jogo é fazer com que o seu marcador de energia gerada alcance o marcador de energia 3 vezes. Isso cria uma  dinâmica interessante. Você pode escolher cartas mais poderosas mas elas demandarão mais energia, o que torna o seu caminho mais longo. Depois que as ações forem feitas, elas devem ser deslocadas para o espaço à direita. A carta mais a direita volta para a mão. No turno seguinte você poderá colocar cartas no espaço à esquerda, que está vazio, e eventualmente sobre as outras duas cartas que permaneceram. Cartas cobertas não tem qualquer efeito e ficam presas até serem deslizadas para fora. 




A assimetria é outro ponto que me agradou. Você começará com um poder assimétrico e ganhará outros nas duas primeiras vezes que alcançar a demanda de energia. A construção de motor poderia oferecer maior diversidade de opções. 


Um dos pontos que eu não gostei foram as ações. Pareceram-me um tanto simplórias. Você basicamente ganha recursos ou ocupa locais no tabuleiro pessoal em um sistema de controle de área. No final do seu turno você poderá retirar cubos das galáxias, o que produzirá energia. 


De uma forma geral, achei o jogo legal. Vale conhecer, mas nada imprescindível.


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Teremos no DOFF nova edição do Dino Escape, que incluirá uma promo e um bom desconto.

Venha conhecer no estande da TGM. 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Terminus e a construção de rondel

 

Terminus (Earl Aspiras e Thomas Volpe, 2023)

 

Fomos contratados para construir linhas de metrô e desenvolver os centros comerciais. O tema é especialmente caro para mim, pela minha formação em engenharia de transporte, mas acredito que ele não é muito atrativo para a maioria. De qualquer forma, me parece que o foco está na mecânica e não no tema.

 

fotos retiradas do bgg

É um euro médio pesado, baseado na seleção de ações via rondel e na construção de rotas. A proposta é aparentemente simples. São três eras, em cada uma delas os jogadores darão 3 voltas em um rondel com 6 casas. Cada casa possui 2 ou 3 ações possíveis, algumas das ações podem ser acessadas por mais de uma casa. A maior parte das ações consomem dinheiro ou recursos que são comprados com dinheiro. Assim, é impossível fazer todas as ações, você terá que fazer um bom planejamento para ser bem-sucedido. Para aumentar um pouco mais o peso, uma das ações possíveis é a construção dos centros comerciais que disponibilizam mais uma alternativa de ação forte em determinada casa do rondel. Desta forma, o jogo funciona como uma espécie de construção de rondel.

 


Eu gostei bastante de Terminus. Tem uma boa quantidade de se fazer pontos, a interação é na medida que eu gosto e a aleatoriedade é baixa. A construção em rondel é o ponto forte, na minha opinião. O ponto baixo é uma ação que permite que você compre umas cartas de objetivo e fique com uma. Os objetivos são bem desinteressantes e podem ter ou não sinergia com o seu jogo e a sua estratégia. Eu preferiria que essas cartas não existissem. Terminus não é um jogo para todos, se você errar no planejamento terá poucos resultados e a frustração poderá te pegar. Mas se você gosta de peso, experimente!

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Começaram a sair as artes de Pantanal. Curtiu? Entra na página e coloca “Quero”.

https://ludopedia.com.br/jogo/pantanal