quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Ahoy, o Root do mar calmo

 



Ahoy (Greg Loring-Albright, 2022)


Uma esquadra controlada tubarões está disputando o controle dos mares com a União dos Moluscos, uma aliança de seres subaquáticos que quer retornar ao seu período de glória. Enquanto isso, contrabandistas com seus muitos tentáculos estão procurando as melhores oportunidades de negócios entre as linhas.


 

É um jogo de leve-médio cuja principal característica e a considerável assimetria. Ele mistura o conflito direto típico dos temáticos com uma mecânica um pouco mais sofisticada comum nos euros. Lembra um tanto o Root, que é da mesma editora, mas bem mais leve. No início de cada rodada os jogadores rolarão os seus dados pessoais (4 ou 5, dependendo da facção). Na sua fez, você deverá alocar dois desses dados no seu tabuleiro pessoal, o que ativará ações. As possibilidades de ação também variam de acordo com a facção. Todos podem se mover, o que pode ampliar o mapa via exploração ou gerar combates com outros jogadores (por meio de rolamento de dados e alguma preparação). Os tubarões e os moluscos disputam o controle de cada peça no mapa, o que lhe dá pontos no final de cada rodada. Os contrabandistas (que só entram nas partidas de 3 ou 4 jogadores), vão atrás de pontos via pegar e entregar mercadorias. Todos podem recrutar tripulantes, que são cartas que constroem o seu motor. O jogo termina no turno no qual alguém atingiu os 30 pontos de vitória.

 

Eu acho que Ahoy entrega aquilo que se propõe. Se você quiser algo parecido com a complexidade de Root, acredito que você se decepcionará. Mas esse jogo pode agradar mesas que demandem menos peso e que gostem que jogos temáticos. 


_________________________________

 

 O Romir fez um excelente vídeo sobre as regras do Dino Escape, dá uma olhada! 



sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Vendel to Viking e as árvores

 

Vendel to Viking (Jon Manker, 2022)

 E cá estamos mais uma vez na temática viking. Agora liderarmos os povos nórdicos que deram origens aos vikings entre os anos 550 e 800. É um jogo independente, mas se propõe a ser uma “prequência” do Pax Vikings, da mesma editora. Pode-se inclusive utilizar o final da partida de Vendel to Viking na preparação do Pax Vikings.

 


Trata-se de um jogo médio para pesado. Eu diria que é um euro, mas com uma grande interação entre jogadores. A partida tem até 12 rodadas. Em cada uma delas os jogadores farão 4 ações que podem ter os seguintes efeitos: enviar um membro da família para o tabuleiro, o que pode abrir mais um local; ativar um membro da família no tabuleiro, cujos efeitos fariam de acordo com o tipo (guerreiro, construtor de navio, construtor de alojamento, comerciante, líder e vidente); investir em um membro. Neste último caso, você poderá comprar uma carta cuja localidade você esteja controlando e que haja um membro da família do mesmo tipo no local. A carta vem para o seu tabuleiro pessoal onde você ganhará um efeito imediato. O membro familiar vai para um tabuleiro de feitos que funciona mais ou menos como uma árvore de tecnologia. Nele você ganhará troféus se for o primeiro a chegar em certos locais. Esses troféus são uma boa fonte de pontos. Cumprir missões (você começa o jogo com 4) e controla territórios no final da partida também pontuam.

 


Eu achei Vendel to Viking um jogo interessante. A alta interação, que normalmente me incomoda, não foi um problema na minha única partida. O ponto baixo para mim é a forma que as cartas entram no jogo. Quando uma das cartas abertas é compara outra vem de um baralho com mais de 100 cartas. Ocorre que para subir bem no tabuleiro de feitos, você precisará investir em certos membros específicos. Pode acontecer desse tipo demorar muito para aparecer, o que é bem frustrante. O ponto que eu mais gostei foi o tabuleiro de recompensas. Planejar por onde subir gera umas decisões interessantes, pena que isso fique prejudicado pela caça às cartas. A árvore familiar no tabuleiro pessoal me chamou a atenção tematicamente, mas achei subaproveitado na mecânica.  


_________________________________

 

O Canal Jogando Juntos fez um vídeo superlegal sobre Dino Escape. Dá uma olhada.







quinta-feira, 11 de agosto de 2022

quinta-feira, 28 de julho de 2022

O que falta em Northgard para ser um bom 4x?

 

Northgard: Uncharted Lands (Adrian Dinu, 2022)


Somos chefes de clãs vikings. Estamos desbravando um novo território e o disputando na base do machado. Eu acho esse tema um tanto batido, existem 290 entradas no BGG com ele. Contudo, acho que ele está bem atrelados às mecânicas e à proposta do jogo.

 


É um jogo temático 4X, ou seja, um jogo de “civilização” no qual você eXplora, eXpande, eXtrai e eXtermina, baseado na construção de baralho. Todos os jogadores começam com 6 cartas iguais. Uma de cada ação básica (explorar, mover, construir ou recrutar) e dois curingas. Além disso, há um poder permanente assimétrico e uma carta inicial única para cada clã. A partida se desenvolve em um tabuleiro que começa a ser construído na preparação, mas segue crescendo ao longo do jogo. Ele é composto por peças quadradas que possuem fronteiras, recursos e locais onde se pode construir prédios. A fronteiras formam reinos que poderão ter 2 ou mais peças. Cada reino só comporta as unidades de um jogador. Quando há unidade de mais de um jogador no mesmo reino ocorre um combate, que possui uma aleatoriedade bem sutil. No seu turno você normalmente jogará uma carta e fará a ação correspondente. Há outras opções, que inclusive permitem que você gaste recursos para pegar novas cartas melhoradas exclusivas do seu clã, mas elas são pouco usadas. O vencedor será aquele que dominar 3 territórios com construções grandes no final do turno. Se isso não ocorrer até o final do 12º turno, quem tiver mais ponto de vitória ganha.

 


Acredito que Northgard entrega tudo que os jogadores de 4x procuram. Todos os “Xs” estão bem presentes e são relevantes no jogo. Acho que o único problema foi eu. A aleatoriedade normalmente intrínseca a essa tipologia não me agrada, assim como a imensa interação destrutiva entre jogadores. Jogamos com um módulo que acrescenta os animais e monstros durante a exploração, que é extremamente aleatório. Não recomendo utilizá-lo. Contudo, acredito que Northgard agradará o público que gosta de 4x. Você gosta deste tipo de jogo? Qual o seu favorito?


_________________________________

 

O Canal Jogando Juntos fez uma resenha superlegal sobre Dino Escape. Dá uma olhada.

 


https://ludopedia.com.br/topico/60702/dino-scape-review


sexta-feira, 22 de julho de 2022

Terracotta Army, beleza ou profundidade?

 

Terracotta Army (Przemysław Fornal, Adam Kwapiński, 2022)

 

Estamos na China da Antiguidade. O Imperador Qin Shi Huang faleceu e agora estamos encarregados em construir um exército de leais guerreiros para proteger a sua tumba. Eu gostei da escolha do tema e da forma que ele é tratado. As miniaturas do exército são muito bonitas e certamente trazem uma grande presença de mesa.

 


O jogo é um euro médio pesado, baseado na alocação de trabalhadores e no controle de área. Existe um mecanismo composto por 3 círculos, cada um deles com 12 ações possíveis (algumas se repetem). No seu turno, você colocará um trabalhador em uma das 12 seções envolta desse mecanismo. Assim, você realizará as 3 ações que estão na referida seção. Há a possibilidade de se pagar 2 moedas para girar um dos círculos alterando todas as combinações de ações. Essas ações basicamente lhe darão recursos e a possibilidade de usá-los na construção de estátuas, além de uma leve construção de motor. Existem dois tipos de estátuas. Na maior parte das vezes serão construídas estátuas de guerreiros, que pertencem ao jogador que a construiu e influenciarão no controle de área. Mas existem também as auxiliares (não lembro exatamente do nome) que alteram algo em uma estátua sua ou produzem novas oportunidades de geração de pontos. Aliás, existem outras formas de obtenção de pontos. Cada uma das cinco rodadas possuem um critério de pontuação estabelecido na preparação. Existem dois inspetores (que são manipuláveis pelas ações) que geram pontos em determinada linha ou coluna no final de cada rodada. No final do jogo, cada grupo de estátuas do mesmo tipo adjacentes gera mais uma possibilidade de pontuação.

 


Eu gostei de Terracotta Army. A seleção de ações é bem interessante, assim como a escolha da localização e tipo de estátua. A pontuação possui muitos fatores e saber a forma de maximizá-la não é nada elementar. Eu só fiquei com a sensação que a construção de motor poderia ser um pouco mais sofisticada. De qualquer forma, recomendo que conheçam esse jogo, ele conjuga bem beleza e profundidade.  

_________________________________

 O Romir fez um excelente vídeo sobre as regras do Dino Escape, dá uma olhada! 




quinta-feira, 14 de julho de 2022

Oranienburger Kanal, Uwe Rosenberg e seus exclusivos para 2


 Oranienburger Kanal (Uwe Rosenberg, 2022)

Estamos em Brandemburgo, na Alemanha do século XIX. Precisaremos construir infraestrutura (estradas, ferrovias e canais) para instalar fábricas e assim ser o melhor empreendedor da região. Acho o tema um tanto batido, mas não atrapalha o jogo.



É um euro médio, com seleção de ações e construção de tabuleiro, exclusivo para dois jogadores. Existem 7 ações possíveis. 3 delas geram recursos e 4 são para a construção de prédios e/ou infraestrutura. Os prédios podem ser ativados em dois momentos: quando estiver cercado por vias e quando a 2ª ponte for colocada nele. Pontes podem ser construídas sobre as vias, ligando dois prédios. Em cada turno os jogadores escolherem alternativamente 5 ações diferentes. O jogo termina na rodada em que as pilhas de prédios acabarem. Os pontos vêm dos prédios e vias construídas, dos recursos que sobraram e também podem ser ganhos durante a partida. Existe um número gigantesco de cartas de prédio mas poucas entram em jogo. Isso é interessante no que diz respeita a rejogabilidade, mas impede uma estratégia de longo prazo.



Eu gostei de Oranienburger Kanal, mesmo não conseguindo pronunciar o seu nome corretamente. Ele é bem gostoso de jogar, simples e desafiador. O que me incomodou foi o fato dele receber no máximo 2 jogadores. Parece-me evidente que não seria difícil ou custoso ampliar para 4 pessoas. O próprio Uwe já fez isso em Fields of Arle, que chegou a receber uma expansão que introduzia o 3º jogador. Eu realmente não gosto disso, mas esse jogo pode ser uma boa opção para casais. Ele será lançado pela Spielworxx, acredito que dificilmente venha para o Brasil.

Qual a sua opinião sobre jogos exclusivos para 2 pessoas?

_________________________________

 O Romir fez um excelente vídeo sobre as regras do Dino Escape, dá uma olhada!